Especialista afirma que será possível conversar com animais em menos de 10 anos

12 de setembro de 2018

De acordo com o expert em linguagem animal Dr. Con Slobodchikoff, a comunicação entre humanos e animais poderá ser uma realidade em menos de uma década. O especialista está atualmente desenvolvendo um dispositivo capaz de indicar os verdadeiros significados dos comportamentos dos cães.

Con Slobodchikoff é um dos grandes nomes quando o assunto é comunicação animal. Nos últimos 30 anos, o professor de biologia da Northern Arizona University se dedicou a estudar o cão-da-pradaria, uma espécie de mamífero roedor que habita as pradarias dos Estados Unidos, Canadá e México.

Ao longo de três décadas de pesquisa, Slobodchikoff descobriu que estes roedores têm seu próprio sistema de linguagem para transmitir instruções e comandos complicados. As conclusões do estudo foram publicadas no livro Chasing Doctor Dolittle: Learning the Language of Animals Hardcover (2012).

Em síntese, os cães-da-pradaria emitem sons agudos quando ameaçados. Até aqui nada novo: muitos animais igualmente produzem ruídos quando estão em risco. A diferença, porém, é que os grunhidos dos roedores incluem informações específicas sobre predadores, como o tamanho e a cor do revestimento.

Ao constatar que os roedores emitiam sons distintos conforme o tamanho e tipo do predador, Slobodchinoff decidiu ampliar ainda mais o estudo. Com a ajuda de um colega de informática, o professor de biologia desenvolveu um algoritmo capaz de converter as vocalizações em linguagem humana.

O entusiasmo com a iniciativa, somado ao desejo de compreender a comunicação dos animais, levou Slobodchinoff a fundar, em 2017, a empresa Zoolingua. Desde então, o pesquisador está estudando maneiras de traduzir expressões faciais, sons e movimentos corporais de animais de estimação.

Slobodchikoff reuniu milhares de vídeos de cães para ensinar o algoritmo de Machine Learning os diferentes tipos de latidos e movimentos corporais existentes. O próximo passo é informar o que significa cada latido e cada movimento corporais. Neste ponto, caberá ao pesquisador oferecer suas próprias interpretações.

O objetivo final é criar um dispositivo capaz de indicar os verdadeiros significados dos comportamentos dos cães, evitando, com isso, um “jogo de adivinhação”. A ferramenta poderia identificar se o cachorro quer se alimentar, receber carinho ou simplesmente dar um passeio no parque.

A iniciativa, ainda em fase inicial, tem potencial para tornar a comunicação entre humanos e animais mais efetiva em menos de 10 anos. Embora um diálogo completo seja algo improvável – considerando as diferenças entre a cognição humana e a cognição animal – seremos capazes de saber exatamente o que nossos animais de estimação desejam, melhorando, assim, a qualidade de vida de nossos companheiros.